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martes, 22 de julio de 2014

A MULHER DO SARGENTO ESPANHOL NO SEMANÁRIO FONTE NOVA

Numa homenagem aos
 Bombeiros Voluntários de Portalegre e 
aos Professores 
António Freire e Martinó Coutinho, 
o Semanário Fonte Nova,
 publica na edição desta semana um extracto
para leitura de férias, da
 Mulher do Sargento Espanhol
 a editar muito em breve.
Boas Férias e Boas Leituras.


O jogo de luzes conjugado com o arco, 
dão-nos uma noção de profundidade que parece que entramos por Portalegre dentro,
 com a caneta do João Trindade
 pela porta do Fonte Nova. 
Uma das melhores capas deste jornal.
 Tenho orgulho de fazer parte deste número 


domingo, 20 de julio de 2014

CRÓNICA DO SEMANÁRIO FONTE NOVA DE MAIO - EXAMES




Exames 

Passou o mês de Maio sem novidades, neste escorregar vertiginoso até ao Portugal de há quarenta anos, onde teimam em colocar-nos.
Passou Maio com Fátima a 13, o Benfica a 14 e os exames da quarta classe a 19 e 21.
As eleições a 25, sem graça e a marcarem “necessidades de entendimento” entre os dois maiores partidos europeus, assim à laia de partido único.
Por cá, o desencanto, a abstenção recorde de um punhado de gente sem esperança que pensa que a democracia é isto.
Mas é a escola, que sempre pensei como estrada de futuro, aquilo que mais me preocupa. Este regresso ao passado, não estaria mal se fosse transporte de festa à década de oitenta, onde curiosidade e sonho, fazia de cada sala de aula um laboratório de criatividade.
O património das escolas de Magistério, dos anos que se seguiram aos cravos, foi desmantelado. As escolas de formação de professores, repletas de especialistas, enveredaram por um academismo pacóvio, que terminou na ignorância sobre a monodocência, um pouco (ou muito) como os padres da igreja católica que fazem formação a jovens casais frente ao matrimónio. Quantos professores com pelo menos dois anos de docência no primeiro ciclo (e já é pedir muito), fazem parte dos quadros das escolas de formação de professores, sejam universidades ou politécnicos?
Acabam assim metendo a mão numa massa que desconhecem e para a qual não têm a noção da quantidade de fermento necessário.
Desrespeitam-se os processos educativos, desconhecem-se as etapas de desenvolvimento da criança, abafa-se a psicopedagogia, ignoram-se os diferentes ritmos de aprendizagem, destroem-se os recursos e as condições para um ensino individualizado, finge-se desconhecer ou desconhece-se mesmo, a importância do grupo de pares que estas idades comportam, e forma-se uma caldeirada cinzenta, onde prevaleceram os complementos de formação, a troco de uns trocos a mais no ordenado e o poder glamoroso de colocar um Dr. nos livros de cheques.
Cada vez se necessitam mais professores primários, sem vergonha e com orgulho de o serem, que continuem a assegurar o único escalão de ensino que estava organizado.
Esse desconhecimento da monodocência, impede que consigam levar “os maomézinhos” à montanha, pelo que resolveram, atirar todo o peso da montanha para cima dos “maomézinhos” de nove anos.
O ataque à monodocência que tem sido ensaiado, não é mais do que a incompetência de quem desconhece por completo o primeiro ciclo, hoje em dia, não só governantes e formadores, mas já também professores que foram formados ou que fizeram e fazem formações no cinzentismo da academia.
Os exames no primeiro ciclo são uma aberração não só do ponto de vista psicopedagógico, mas também uma fuga para a frente (ou para trás?) numa escola inicial que perdeu o rumo e a essência.
Muitos professores gostam, deste poder policial de vigiar exames, mãos atrás das costas como os pombos de Lobo Antunes, exercendo um poder absurdo não conquistado pelo respeito do reconhecimento do saber, mas pelo adultismo de uma hierárquia forçada numa escola cada vez com mais degraus.
Esquecem-se os processos de aprendizagem, substituidos por baterias de testes manipulados pelas editoras que são aplicados dia após dia para preparar estas crianças para o exame final, com um peso de 30%, que obriga pais e alunos a diarreias e xanax.
Que se não zanguem os professores que acuso deste gostinho, pois em alguns agrupamentos, caiu-se mesmo no ridículo de, por forma voluntária e por decisão maioritária dos docentes do 1º ciclo, serem aplicados estes exames ao segundo ano (segunda classe). Falamos de crianças de 7 e 8 anos, a quem o GAVE, agora IAVE forneceu os exames, provas intermédias como lhe chamam, com “penes” e tudo, talvez na esperança de no futuro enviarem cassetes, transformando os professores em monitores, de uma velha Telescola, quem sabe?
Tenho saudades de ouvir cantar nas escolas do ensino primário, de ver misturar as cores e usarem~se os pinceis, dos contratos de trabalho, dos jornais de parede, das assembleias de turma onde se educava para a cidadania e porque não, da Maria dos Olhos Grandes que conheceu os dois lados do mundo e do autocolante com a cara de um palhaço que dizia “Queremos teatro na nossa escola já”.
Depois, queixem-se da abstenção.
Ganhe quem ganhe as próximas eleições legislativas, terá urgentemente que olhar para o grave problema instalado na educação, pois por este caminho, temo que comecem também a fazer exames no ensino pré-escolar para acesso ao primário, e com o rigor e o método apregoado, a serem vigiadas as provas por agentes da Guarda Nacional Republicana.
Aragonez Marques

NOTA:
Sou pai de uma menina de sete anos aluna da escola espanhola, que terá que ingressar no ensino deste Governo de Portugal no próximo ano letivo.
Tem no seu estabelecimento de ensino primário, aqui tão perto, do outro lado do Guadiana, português e inglês, aprende música e dança. Faz teatro. Tudo na escola. Sem exames no 1º ciclo, obviamente, que estes pioneirismos só a nós, génios do retrocesso, competem.
Temo por ela, pelo que escrevo como pai e não como professor.

jueves, 27 de marzo de 2014

LEIA AQUI TODA A CRÓNICA / HAJA PACIÊNCIA! / SEMANÁRIO FONTE NOVA



HAJA PACIÊNCIA!
Diz a nossa (?) ministra das finanças que os salários não voltarão aos valores de 2011 pois não descobriu petróleo. Curioso, porque pensava que os cortes salariais que permitimos passivamente, apenas tinham sido aprovados pelo seu carácter provisório. Não entendo, ou entendo, porque os valores de 2011, estão chapados no cimo das folhas de vencimento, continuando a contar como base de todos os cortes. Também não percebo esse olhar para 2011 como se auferíssemos grandes rendimentos e não fossem já nessas datas, os mais baixos da europa. Penso mesmo ridículo e de mau tom, má-fé e estupidez, referir-se ao petróleo, depois de descobrir os poços que julga não ter fundo, nos bolsos dos portugueses.
Não sei o que se passa, nesta agitação de águas e mistura propositada de informação que dia a dia nos trazem confusos, divididos e mais pobres.
As imagens que as televisões não mostram e que apenas a net divulga, por ainda não estar completamente controlada, de camas colocadas nos túneis viários de Lisboa e nas bocas do metro, em tempos de paz, na cidade mais bonita da europa, leva-me a questionar o direito que esta gente tem para se apresentar de bandeirinha nacional na lapela.

(foto de Manuel Carlos Cardoso)
Estou muito zangado, mas a entrar numa fase de “nada se pode fazer”, e isto é grave, por isso, mesmo que não leve a nada, foi como um respirar, cabeça fora de água, mesmo que por pouco tempo, que senti o manifesto dos 70, que passou a 74 e que passando fronteiras recolhia 140 assinaturas ilustres, mas que poderiam ser muitas mais se a europa (que europa?) não fechasse os respiradores de imediato, para que essa doença cívica, não se alastrasse. Dou-me conta, que nunca umas eleições europeias foram tão importantes.
Já que aqui temos um Miguel de Vasconcelos (como lhe chama o meu amigo Arséne), que ninguém empurra da varanda e que ainda se não escondeu no armário, embora dia a dia saia mais folgado dele, que não manda nem decide, limitando-se pomposamente a ser um testa de ferro, que depois de reunir com o PS, correu de imediato à Alemanha (logo no dia seguinte) para prestar vassalagem, à dona, e depois de lhe ter lambido as mãos, levou uma festinha no pelo, que trouxe contente para Portugal a abanar o rabo: Posso sair da “troika” com ou sem programa cautelar, a grande Alemanha está comigo.
São eleições tão importantes, para nós portugueses que durante anos, nunca lhes passámos cartão como demonstram os níveis de abstenção de eleições anteriores, que desta vez e mesmo que nos queiram desvalorizar as mesmas, é mesmo a única forma de modificar as chefias desta europa de Ali-Babás.
Temos que tirar o grupo do partido popular europeu da liderança europeia.
Sempre gostei de mercados, dos ruídos, dos pregões, das gentes, dos produtos meio caseiros, mais baratos e próximos, e sempre que havia mercado, em especial nas quartas e sábados em Portalegre, ir era um prazer que sempre associei à minha infância.
Neste instante, tremo cada vez que se fala de mercados.
Naquele tempo, se ficávamos a dever o café e a massa-frita, sabíamos a quem tínhamos que pagar na semana seguinte. Hoje, esta história dos mercados é para mim um arrepio, um medo, uma insegurança, sei que me tiram o dinheiro para pagar aos terríveis feirantes, mas não sei o que comprei e muito menos a quem devo em nome de Portugal. Em meu nome pessoal, sim sei, e cada vez tenho menos possibilidades de cumprir. É massa-frita e café, tudo bem, mas bebi o café e a fartura comi-a, porque nessa altura podia, porque nessa altura dominava as regras e conhecia as cartas sem acreditar ser possível alguma vez ser legal, marcarem os baralhos, destrunfarem-nos logo no reparto, roubarem-nos as fichas que nos pediram emprestadas e apostarem com elas na mesa ao lado, sabendo que os dados dessa mesa estavam viciados e que os parceiros não tinham rosto nem bilhete de identidade.
Entramos em Abril, governados pelos netos dos perdedores, passando-se décadas desde o tempo em que acreditámos e pensámos ter entrado no novo mundo da liberdade por nos termos conseguido libertar da tirania dos seus egrégios avós, a quem poupámos a vida e perdoámos fraternalmente anos depois, dedos flores e cabeças no ar, make love not war.
 Entre baladas, criámos os filhos nesta geração de casa na Caixa Geral de Depósitos, mas hoje notamos que também devido ao comodismo, fomos perdendo a intervenção cidadã.
Dar a outra face à agressão é da lei divina, não sete vezes Pedro, mas setenta vezes sete. Agora não vi nem li que fossem setecentos vezes setecentos em tão pouco tempo. São muitos os inchaços para aguentar mais pancadaria.
Os hospitais em ruptura, a malta a pagar apesar de descontar para a ADSE, as escolas com amianto nas telhas, nos programas e nas avaliações de colegas por colegas, mais bufos que avaliadores, os velhos cada vez mais tristes e cansados, as crianças com fome, os deficientes sem ajudas, e estes capuchinhos vermelhos que nos metem medo do lobo porque querem limpar as pensões das avós.
A história não é assim, eu sei porque a ouvi e contei centenas de vezes.
Passámos a estar mudos, cegos e surdos, nem percebemos que a canção do festival é um plágio da lambada, que as metas curriculares são plágio dos objectivos, que o ensino por áreas e fim da monodocência é plágio das velhas escolas P3, que o futebol e o fado são tudo o que nos resta e que, o atribuir às escolas apenas três horas para o Estudo do Meio, é a negação da comunidade escolar perante a ciência e que as actividades de expressão estarem praticamente extintas é a prova de que se não pretende criatividade e inovação.
Saber ler e contar bem, isso sim, português e matemática na óptica do utilizador, o grande investimento nacional dos cinzentos, nascidos e criados pelas escolas de formação. Que as nossas crianças possam interpretar bem as receitas e as ementas e saibam fazer bem as contas da soma dos rissóis e dos pastéis de bacalhau, de avental ao lado da mesa dos turistas, que ganham três vezes mais do que nós ganhávamos em 2011.
Estão a virar-nos para os serviços, servir, cá dentro e lá fora, servir bem os países da europa do norte, servir à mesa, obviamente, criados de luxo. Aprender o inglês de preferência com sotaque local, que o turista estrangeiro acha mais pitoresco, e ele é que paga, e compra, e com sorte fica, se formos capazes de estar preparados para lhes mudarmos as fraldas das suas incontinências urinárias e de lhes darmos a comidinha na boca.
Talvez por isso, tantas escolas de hotelaria e tantos master chefes na televisão.
Que forma mais primária de utilizar o nosso mar e o nosso sol.

Além do mais, começa a ser visível a parte da incompetência e parvoíce, desta gentinha que ocupa postos chave nas decisões das nossas vidas, como o dia da disfunção eréctil no mesmo dia dos namorados (14 de Fevereiro), do alcoólico anónimo no dia do pai (19 de Março) ou até mesmo o cartaz deste ano da Ovibeja com a cabeça de um vitelo. Fez-me lembrar um sujeito de Talavera a quem saiu a lotaria (pouco tempo lhe durou) e que fez uma grande Marisqueira na terra, que tinha como especialidade da casa, frango assado.

Haja paciência! 

martes, 25 de marzo de 2014

HAJA PACIÊNCIA! / Semanário Fonte Nova / HOJE NAS BANCAS


Um cheirinho de HAJA PACIÊNCIA!, para ler hoje na totalidade no Semanário Fonte Nova de Portalegre

(...)

entre baladas, criámos os filhos nesta geração de casa na Caixa Geral de Depósitos, mas hoje notamos que também devido ao comodismo, fomos perdendo a intervenção cidadã. 
Dar a outra face à agressão é da lei divina, não sete vezes, Pedro, mas setenta vezes sete. Agora não vi nem li que fossem setecentos vezes setecentos em tão pouco tempo. São muitos os inchaços para aguentar mais pancadaria.
Os hospitais em ruptura, a malta a pagar apesar de descontar para a ADSE, as escolas com amianto nas telhas, nos programas e nas avaliações de colegas por colegas, mais bufos que avaliadores, os velhos cada vez mais tristes e cansados, as crianças com fome, os deficientes sem ajudas, e estes capuchinhos vermelhos que nos metem medo do lobo porque querem limpar as pensões das avós.
A história não é assim, eu sei porque a ouvi e contei centenas de vezes.

(...)

Dos dois Lados do Guadiana
Aragonez Marques


lunes, 24 de marzo de 2014

viernes, 21 de marzo de 2014

CRÓNICA DE MARÇO / SEMANÁRIO FONTE NOVA / NAS BANCAS DIA 25


Terça-feira, a última de cada mês como sempre, a minha crónica mensal no Semanário Fonte Nova de Portalegre. O titulo deste mês: Haja Paciência!

Escrita com muita raiva e muita paciência. Estive hoje incógnito em Portalegre. Fui dar um beijo à minha mae. Continua cada vez mais cinzenta a minha cidade. Triste e deprimida, tapando envergonhada a beleza que tem. Julgo que está com falta de auto-estima. Também quem a pode ter com estes putos incompetentes a quem legitimámos com o voto a tomada de decisões das nossas vidas. Em Maio há eleições. Temos que alterar e afastar para sempre estes lideres liberais europeus. O grupo popular europeu deve ser afastado imediatamente das decisões europeias. Vota conscientemente. Vota. É a única forma democrática ao nosso alcance. Não é um voto entre PS e PSD isso é o que eles querem que pensemos. É um voto para mudar os destinos dos lideres europeus e através deles o deste continente maltratado.
Terça-feira, a última de cada mês como sempre, a minha crónica mensal no Semanário Fonte Nova de Portalegre. O titulo deste mês: Haja Paciência!

Nas Bancas dia 25 de Março, terça-feira.

miércoles, 26 de febrero de 2014

CRÓNICA DE FEVEREIRO / JORNAL FONTE NOVA / ESTA MALTA PISGA-SE...




ESTA MALTA PISGA-SE…

Preocupam-nos hoje os jovens, como certamente preocupámos os nossos pais, embora tivéssemos um caminho mais fácil, cujo fim nos recompensava mais cedo ou mais tarde dos passos que se iam dando. Hoje vemo-los ir e parece-me, que foi pensado este roubo de futuro pela mão da Europa, e quem sabe, já não digo nada, se os Erasmus não fazem parte deste plano conivente, deste paguem-lhes a formação, que nós agradecemos a sua rentabilidade. Nesta sociedade não gerida por pessoas de bem, acabamos por ser obrigados a andar com a pulga atrás da orelha, e a desconfiança em quem deveríamos confiar, é generalizada transversalmente a todas as classes (porque as há), profissões (cada vez menos), amigos ( poucos cada vez mais) e idades (cada vez mais rápidas a passar). Depois, numa confusão brutal olhamos e exageramos o medo de praxes, como se todos os jovens fossem “Duxes” e todos, sem excepção, tivessem dinheiro para pagar propinas e ainda lhes sobrasse para trajes académicos. Agora o que sinto e me entristece e assusta é dar-me conta, dia a dia, que estes meninos do governo, parafraseando Lobo Antunes, são os filhos da geração que fugiu para o Brasil ou perdeu as mordomias de África. Estudaram lá fora ou em colégios privados classistas, vendo Abril como o mal dos seus progenitores e hoje, sem a mais punheteira ideia, em plano de ajuste de contas, mesmo vingativas e sujas contra todas as conquistas que outros pais da geração dos seus conseguiram, com muita coragem, para os seus filhos (julgavam), aproveitam o poder que lhes colocaram nas mãos infantis, mas cruéis. Vinga-se a Alemanha da Europa através desta juventude, filha da direita órfã da ditadura. Cobram através dos netos de Salazar, dos netos de Franco, e se o conseguirem, baterão também na França das ideias e da resistência, na Itália da boémia e do romantismo, na Irlanda que disse não e da Grécia, que morderam e não largam, raiz de uma civilização organizada, onde o latim e o grego, não são línguas mortas, mas apenas adormecidas.
Talvez por tudo isto, esta crónica do mês, se vire para realçar um grupo de jovens, daqueles que ainda se entregam à vontade de mudar o mundo, nem que seja, o pequeno mundo onde vivem.
Entregaram-nos uma peça em branco de um puzzle, uma por sala, várias por escola e pediram-nos que as crianças as pintassem com imaginação.
 O tema;  Amor.
Depois de pintadas, por meninos e meninas de todas as escolas de Campo Maior as peças foram entregues na Biblioteca Municipal.
Um autocarro da Câmara foi buscar-nos à escola no dia 14, e ao chegarmos à Biblioteca, a surpresa esperava-nos.
As peças, num profundo e lógico sentido formavam um grande coração que era em si mesmo o cenário do teatro com que a Ana Diabinho, a Paula Rodrigues, a Fátima Gaminha, a Diana Rabaça, a Andreia Carvalho, o José Marchã, o Rui Candeias e a Sónia Ribeiro nos presentearam oferecendo-nos ainda como cereja no cimo do bolo, um bailado, onde a elegância e a graça estética da Rita Antunes, deslizando em pontas nas suas sapatilhas de muitas horas de trabalho, nos enterneceram.
Quis saber o nome destes jovens, que a Câmara aproveita como recurso local e o fotógrafo, o Pedro Nicolau, mostrando a sua cumplicidade, ainda durante a tarde me enviou os nomes e uma série de fotografias.
Senhora Vereadora da Cultura Isabel Raminhas, você tem muita sorte de contar com esta rapaziada e muito mérito por nos deixar sentir que a juventude está viva e muito distante das águas do Meco.
Sinto-me na obrigação de agradecer, do alto da minha escola embrenhada nas metas e objectivos das cargas de matemática e linguística formal, formatizada por acordos de ortografia obrigatórios, ameaçada por exames e avaliações destruidoras do trabalho em grupo, no privilégio (dizem) da individualização, da competitividade, espaço cinzento e sem brilho, sem gosto e sem festa, por nos terem oferecido aquilo que falta à escola actual: Arte, Criatividade e Amor.
Acarinhemos estes jovens, últimos filhos de uma escola hoje amordaçada e apenas com meia dúzia de resistentes. Se o não fizermos, partirão, num misto de duas canções de Zeca Afonso, eles comem tudo e ei-los que partem, e mesmo que o ultimo a sair não apague a luz, não importa, já estará tudo às escuras como a cegueira de Saramago.
Eles pisgam-se, e que autoridade moral temos nós, permissores desta invasão de assaltantes do país, observadores impávidos e serenos, imóveis, silenciosos, acomodados, sentados como a nêspera da cadeira do poeta, esperando ser comida, cagados de medo, para vergonha dos nossos egrégios avós, contra os canhões marchar, marchar, para lhes dizermos que o não façam?
Esta malta pisga-se… e só ficaremos os cotas, sem reformas e sem filhos.
Se não acariciarmos estes putos grandes, para que pelo menos regressem, restam-nos os bancos do jardim.



martes, 28 de enero de 2014

CRÓNICA DE JANEIRO / PANTEÕES / SEMANÁRIO FONTE NOVA


PANTEÕES
Agora, está na moda o Panteão Nacional.
Podemos estar anos sem ouvir falar dele, e de repente, zás, tudo e todos para o panteão, desenterrados e reencaminhados, com cheirinho a Inês de Castro.
Eusébio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Aristides de Sousa Mendes, Irmã Lúcia, Capitão Salgueiro Maia (…) Acho que sim, até porque com tanto português ilustre nascido nas últimas décadas e com o facilitismo com que se pede e pelos vistos concede, a subida ao altar civil, deveria estar ao alcance do comum dos mortais, como aliás, parece ser o que pretende a maioria do povo português, carente como anda de heróis, já mesmo sem esperança em manhãs de nevoeiro, que os candidatos ao heroísmo épico destes últimos tempos, são foleiros e não merecem confiança por pantomineiros.
Foram bem ensinados, como Jotas, ex-JSD, ex-JS, ex-JCP… beneficiaram dos melhores professores, hoje todos bem na vida porque aprenderam o Abracadabra de Ali-Babá.
Somos governados por Jotas, o pior que foi criado pelos partidos.
Vasculhamos assim os mortos recentes, os que a memória ainda recorda, pois os outros, num país com uma partilha cultural deficiente, estão esquecidos e dificilmente se irão da lei da morte libertando.
Passamos assim a recolher nomes, esfomeados de pátria, para os ungirmos com o óleo dos reis.
Seria Portugal o mesmo hoje sem Eusébio da Silva Ferreira? Julgo que sim. Sem Sophia? Parece-me que também. Sem Aristides ou sem Lúcia? Talvez sim, que sei eu? Que sabemos nós? Se não demos tempo ao tempo?
Destes nomes, soprados e circulantes pela net, terei que reconhecer que Portugal, seria melhor ou pior, mas sempre diferente do que fora até aí, se Salgueiro Maia se não tivesse cruzado na história, pelo que concordo com o poeta Alegre de nome e carrancudo de semblante, o poeta da voz de barítono e levar o capitão de Castelo de Vide para a Capital, deitando-o para sempre junto de outros portugueses ilustres, não me espanta, achando-a mesmo uma decisão acertada.
Já sobre Sophia, a quem respeito como um grande nome das letras, a quem admiro pelo legado que nos deixou, causa-me dúvidas pelo precedente que abrirá, na medida em que a considero pertença de um lote de grandes nomes da literatura, como Torga ou Saramago e poderemos causar injustiças de dano a nomes de vulto como Eça, Pessoa, Nemésio, Natália Correia, Florbela, Romeu Correia, tantos e tantas… felizmente, que será bom parar de os nomear para evitar omissões certeiras inevitáveis, pela qualidade do mundo das letras portuguesas, vivos ou mortos.
Não podemos enviar esta malta toda para o jazigo público, pois correremos o risco da banalização.
A ida de Sophia para o panteão, será um precedente, como o foi Amália e abrirá portas até agora impensáveis de abrir.
Foi uma figura notável, sem dúvida, de que a nossa língua se tem que orgulhar, mas quantos portugueses apenas conhecem a poetisa por ser mãe do quase bonito (segundo ela), jornalista e comentador, pioneiro com Sócrates no ataque cerrado aos professores, o primeiro passo para a destruição da escola pública?
São famílias de elite, que ainda por cima sabem escrever, amando ou mordendo com a pena e o tinteiro.
Foi arquivado o seu processo de apalhaçar Cavaco Silva, privilégios, que não tem o cidadão Carlos Costal, 25 anos, de Campo Maior que no dia 10 de Junho, em Elvas, mandou o Presidente trabalhar, chamando-lhe  gatuno e que à data de hoje, continua a ser mordido pela justiça, perseguido por um presidente pequenino e herói que não larga o moço, como osso, sabendo que daí nada tem a temer, o que o leva a manifestar o seu ódiozinho, cobardemente, com quem sabe ser mais fraco e desprotegido.
Tal como Amália abriu as portas a Eusébio, deixando caminho a Ronaldo um dia que bata a bota, também Sophia abrirá portas a todos os gostos, e depois dela, obras de melhoramento e acrescento no panteão, que muitíssimos ilustres lhe baterão à porta. A pedido. Negociatas de parlamento, que o parlamento é o povo. Assim um pouco como as insígnias pátrias, ordens e comendas, nas mãos desta gente. Moeda de troca ou agradecimento pessoal…
A não ser, que tudo isto se trate de uma estratégia para que os portugueses e portuguesas recuperem a auto-estima. Tal como “santos podemos ser todos” parece que nos estão a estimular “panteados poderemos ser todos também”.
Nasce assim uma esperançazinha, de que depois de uma vida de merda, possamos aspirar a um descanso eterno e reconhecido.
Já a igreja nos ensinou durante anos a fazer o mesmo, ser humildes, trabalhadores, bonzinhos, sem refilar, que depois tínhamos o céu.
Por mim, dispenso altares e panteões, prefiro sinceramente que me devolvam os 200 € que me roubaram de novo este mês.
Deixem-me viver tranquilo, que depois de morto, logo se verá.

                                                                     ARAGONEZ MARQUES

jueves, 23 de enero de 2014

PROFESSORES DE MARMITA / CRÓNICA SEMANÁRIO FONTE NOVA



Professores de marmita

É a nova geração.
Chegam de norte a sul, colocados pela plataforma, decidem em 24 horas se aceitam ou não o lugar, e aí vão…
Alugam quartos ao mês e comem asinhas fritas de frango, nas salas de aula, poupando o dinheiro das cantinas escolares, que esta história dos subsídios de alimentação é uma treta e mais do que nunca fazem parte do salário.
Ontem chegou um, veio ocupar o último quarto livre da casa onde também estou. Trazia mochila e vinha de Arcos de Valdevez. Matemática. Professor de matemáticas, não sei se parte integrante dos novos programas. Lembrei-me dos tempos em que comecei, também de mochila, só que nessa altura, por essas datas, a mochila levava sonhos, começos e esperanças. Hoje, quem chega, roça os quarenta anos, quem vai ou vem está sem filhos, família, apenas tem projectos de esposas e mães de rebentos por nascer,  noutras escolas, noutras terras, deste mapa pequeno, mas gigantesco, para quem leva metade da casa às costas. Com essas idades, já eu tinha apartamento da Caixa Geral de Depósitos, filhas e caminho a percorrer. Agora, procuram-se vinte euros para pagar exames, atrasos, como quem adia uma dívida à custa de desculpas mal contadas.
Adia.
É a geração dos professores de marmita.
Saí agora do quarto alugado, ver se a selecção nacional me alivia a angústia depois do violento e último roubo de mais de metade do subsídio de férias. Deixei o novo companheiro a enrolar cigarros com máquina dos chineses e a fazer a sua primeira participação de falta disciplinar a aluno, obrigado a estar na escola para efeitos estatísticos.
Vir um homem de tão longe para fazer participações disciplinares…
Está cinzenta esta escola que quer comer a outra escola que (ia escrever tinha) tem dentro.
Ontem.
O papá leva o gato
- Senhor professor eu tenho um gato…
E o professor aproveitou, e deixou falar sobre o gato, que bebia leite, que tinha pelo, quanto media? Já mediu dez centímetros, agora mede aí um metro… um metro? Vai lá buscar o metro, heia! Que grande gato, vá lá vinte centímetros…
Hoje.
O papá leva o gato
- Senhor professor eu tenho um gato.
- Calou!! Perguntei-te alguma coisa? O menino só fala quando lhe perguntarem. Entendeu? Cada vez chegam piores, nem deixam trabalhar…
Há na realidade duas escolas, uma cinzenta com boca grande, disciplina, pontualidade, rigor… uma merda. Desculpa mãe, lá me saiu mais uma asneira. Tu sabes que não digo palavrões quando falo, mas a escrever, saem-me às vezes. Prometo que substituo a “palavrona” daqui para o futuro por “uma coisa”. Contente? Bem, mas falava das escolas e dos professores, com quem me zanguei muito por não terem aderido à greve do passado dia oito, mas que já perdoei, pois não há dúvida que esta malta não tem dinheiro nem para os cartazes e apitos das manifestações, quanto mais para perder um dia de trabalho. Temos que inventar novas formas de protesto, sem que nos venham ao bolso. Ficarmos todos na escola, a fazer uma chouriçada de protesto e mandarmos às urtigas os trezentos euros com que nos querem comprar para corrigir exames de colegas, companheiros de viagem, ainda por cima, nas férias de Natal.
É perverso.
A escola da boca grande, como as plantas invasoras do Guadiana, enche o cenário de verde e clorofila de esperança, mas asfixia tudo o que se move no rio. Abanam a árvore da escola pública de alto a baixo, à mão e à máquina como as oliveiras, de noite e de dia, porque tem pressa  em criar gente temerosa do futuro, bons dominadores da escrita e dos números (na óptica do utilizador), a que chamam Língua e Matemática, suprimindo qualquer área de expressão que motive ou estimule a criatividade, querem actuantes e não pensantes, que trabalhem num modelo de sociedade de produção barata, que assinem sem pestanejar novos contractos, sem segurança de futuro, por qualquer salário, e com reformas e idades a perder de vista. Para isso precisam desta escola e de preferência sem professores da geração de Abril, não se coibindo de os tentar comprar com montantes ludibriosos, que os levem a largar as paredes com vida, ainda, da escola que ajudaram a criar.
Precisam de “nova” escola para “novo” estado novo.
Precisam de pessoas com medo e por isso apontam para exames, metas, estimativas, novos programas, novos professores. Não contam para as rescisões amigáveis os anos de doença, pelo que, para além de docentes jovens e submissos, que os outros já emigraram, não se importam de ficar também com docentes doentes, pensando, quem sabe, poupar, com a junção do Ministério da Saúde com o da Educação. Atrevem-se a transformar a escola pública em gigantesco laboratório de experiências, cobaias, mesmo com o corte de relações das Universidades, reitores e alunos desta vez em uníssono, perante o descredito e a estupidez. Os meninos do governo, como lhes chama Lobo Antunes, vivem na total impunidade, ameaçando mesmo o Tribunal Constitucional com o apoio de quem jurou defender a Constituição, defendendo-nos a nós, portugueses e portuguesas.
São meninos da linha, cruéis e tiranetes a quem devemos quanto antes cortar as unhas, que começam a crescer, até porque nunca foram arranhados pela vida e não sabem o que isso dói.
Entretanto, enquanto o pau vai e vem, julgamos folgar as costas, mas não, apenas duplicamos as marmitas.
E porque o prometido é devido:
- Isto é uma coisa!
Viste mãe? Que educado é o teu filho professor.
A propósito, parabéns pelo teu aniversário.
Que saudades tenho de quando tinhas a minha idade.
Aí estaremos todos no dia 30, e com tantos professores na família, faremos certamente um comício caseiro, para aliviar o cheiro desta “coisa” do ensino atual, sem c, viva o desacordo acordado.
Pelo sim pelo não, e se não te importares, levo a marmita para trazer alguma sobra da festa pois logo na segunda-feira, começa a primeira semana nómada do mês de Dezembro.
Vida de professor.
-Bela coisa!


lunes, 1 de julio de 2013

CRÓNICA DE JUNHO / Deus os tenha no seu eterno descanso / FONTE NOVA




Deus os tenha no seu eterno descanso.

Jurei a todos os santinhos, pela minha saúde, eu seja ceguinho e essas coisas todas, que não falaria mais no Facha. Primeiro porque se não deve chorar, é perca de tempo, sobre casca de laranja descascada e segundo, porque esta laranja em concreto, já está cortada às rodelas e servida polvilhada de açúcar. Só que, estou a escrever de Portalegre, vim de camioneta, desci no Rossio, e senti um arrepio na espinha, completado pela entrevista dada a este jornal, que comprei na papelaria Sarita para me entreter na consulta médica onde estou.
Um escritor que nunca conheci para além do seu único livro, chamado “Como venci o cancro” atingiu há três anos um recorde em topo de vendas, extraordinário. Utilizado como livro de auto-ajuda, muitos eram os leitores que o compravam, que o ofereciam e muita gente o transformou em força para continuar. No ano passado, os pedidos subiram, foram feitas novas edições e a editora passou a receber pedidos do Brasil, de Angola e até de emigrantes Açorianos nos Estados Unidos. Como tenho facilidade de relação com as editoras e porque um grupo de voluntários me pediu, contatei o proprietário de uma fábrica de livros sediada na região centro, e pedi que o autor, se deslocasse a Espanha para junto de um grupo de doentes apresentar o livro e fazer uma conferência. Respondeu-me o editor: - Impossível amigo, esse senhor morreu há dois anos- e acrescentou- não comente por aí. Tal como o Facha, que não morreu quando as máquinas o começaram a escavacar, mas estava morto há anos quando decidiram pela eutanásia e por interesse óbvio não comentaram por aí.
Fizeram-no agora, entrevista de açúcar, ao mesmo tempo que enterravam o cadáver.
Não gostei de algumas respostas, simplistas, com muita sacarina, como é de lei e moda, como se fossemos todos diabéticos.
Achei curioso o entrevistado dizer que a cidade estava dividida, como aconteceu quando da construção do defunto criado por Miguel Jacobetty Rosa, reagindo à modernidade.
Como um aluno inteligente perante a pergunta do professor a quem não sabia responder, levou para o seu terreno a resposta. Ora eu não sou assim tão velho nem reacionário ao modernismo e julgo que quem contesta, não o faz contra o estilo do edifício nem contra a existência de mais um hotel e muito menos à homenagem do escritor de Vila do Conde, mas sim contra a localização da obra de arte.
Já que a geração dos meus pais permitiu a aberração do edifício do filho do Senhor Matos da Pérola, no Largo Frederico Laranjo, que aí está e ficará para sempre ou até que caia, manifestei-me para que as minhas filhas saibam que algo fiz, mesmo que já não sirva para nada.

Sobre a modernidade, e embora não quisesse sinceramente entrar aí, julgo que seria moderno na década de oitenta, hoje é um edifício normal e corrente, onde nem a sua localização o beneficia. Além disso, e porque me faz cócegas nos pés, peço que vejam a fotografia da entrada onde se vê perfeitamente, o que tenho chamado paralelepípedo.
Sou só eu ou há mais gente que vê um “bangalô” retilíneo, como caixote com janelas, pousado no cimo do arredondado do Facha? Por aqui me fico, ou quase, porque noto uma ironia essa de: Somos todos de cá, o arquiteto, eu também, vou viver para a Cidade, já tenho aí uma vivenda... como se ser irmão da grande prole Portalegrense, nos desse o direito de destruir as pratas da família.

Mas nem tudo foi mau, afinal ficamos a saber porque se não respeitou o traçado do edifício e muito menos a sua recuperação, soubemos também a razão pela qual o último cisne sobrevivente da cidade está nos armazéns da Câmara Municipal. Fomos informados de um incidente que aconteceu e que a empresa, se tivesse sido mais grave, assumiria o prejuízo, como se houvesse dinheiro que pagasse a destruição da fonte construída em 1865. Soubemos também, como os vidros não foram retirados por não ter sido adquirida a estação de serviço, dependente de uma assinatura para uma garantia bancária e que tudo, se resume a dinheiro.

Pouco menos de dois milhões de euros um preço “agressivamente caro”...  um investimento reembolsável em três anos (pelas minhas contas) e que dá trabalho apenas a 14 trabalhadores, sem garantias de que sejam todos irmãos da prole.

A Câmara de Elvas acabou de anunciar a compra do Forte da Graça, a Câmara de Portalegre nem se esforçou por comprar o edifício emblemático do centro da Cidade. Não tem dinheiro, sabemos, mas isso se deve à má política dos últimos anos.

O presente envenenado recebeu-o a Presidente da Câmara, a quem se agradece com um bem haja, a resolução em três meses de um assunto pendente há três anos.

Também gostei de saber que as pedras de granito do edifício são de boa qualidade e que serão aplicadas noutras obras da empresa (!)

Aqui me fico, e não comentarei mais este assunto. Agora é de vez e que fique mesmo ceguinho se o fizer.
Apenas quero tranquilizar os leitores, dizendo que a morte do escritor com que começo esta crónica, não foi causada pela miserável doença. Morreu atropelado por um táxi, a alta velocidade, quando saía do último tratamento de quimioterapia, à porta do I.P.O.
Como o Facha.
Deus os tenha no seu eterno descanso.

                                                                                    Aragonez Marques


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