jueves, 23 de enero de 2014

FIGURA DO ANO - CRÓNICA / SEMANÁRIO FONTE NOVA



FIGURA DO ANO
Depois do assalto coordenado às janelas e varandas de Norte a Sul, das bandeiras de um país que pretendia ganhar no futebol, vimo-nos novamente assaltados pelos pais natais chineses, trepando escadas e cordas, sacos vazios às costas, imobilizados, como na pausa de um CD.
Competiam nessa guerra com os panos vermelhos do velho natal da velha religião, com um menino de loiça, corpo de três meses e cara e cabelo de três anos, dedos em V, terninho, loirinho e branquinho.
 Os barrigudos anões, foram os primeiros a chegar, barba branca, óculos, barrete vermelho e branco, e vieram em contentores, pelo mar e não pelo céu, de barco e não de trenó, mas logo de seguida numa luta absurda, chegou o retrato do menino, e ambos disputaram um espaço de montra, nas fachadas das casas.
Alertava o pároco para a importância do Natal, para o nascimento do Menino, que os faziam ser donos da tradição, e ali estavam os panos, vendidos na sacristia, seda vermelha, menino gravado, a seis euros primeiro, baixando a quatro depois, à medida que a Noite Santa chegava.
Reproduziram-se nas ruas, nas avenidas, nas casas do Largo, aquela invasão de gorduchos atacantes de varandas e janelas, como pequenos marcianos vermelhos, mais trepadores que voadores.
 Reproduziram-se os panos como bandeiras, tapetes voadores vermelhos verticais, com um Aladino ocidental deitado.
A disputa foi continuando, pela conquista dos espaços, e agudizou-se quando os chineses de Badajoz, começaram a vender os panos vermelhos, iguaizinhos (apenas em vez de “Feliz Natal”, tinham “Feliz Navidad”).
Estalou a guerra total, quando as lojas chinesas de cá, passaram a vender os panos de Feliz Navidad, de lá.
Pai Natal anão de escada e pano vermelho Feliz Navidad, de um lado, pano vermelho Feliz Natal, do outro.
As beatas garantiam que os panos espanhóis eram falsificações fabricados na China, por crianças sem ir à escola, por pessoas sem direitos no trabalho (como aqui?), por isso serem tão baratos, a comparar com os da sacristia.
- Os nossos são de seda, e o senhor padre mandou-os vir de Leiria.
- Ó vizinha… mas olhe que se não fossem os dizeres, eram iguaizinhos…
Não tem esta nossa igreja, mais nada para fazer, com os desempregados, situações de pobreza e medo por trás daquelas janelas e varandas, do que emoldurar por fora, maquilhando, o quadro da tristeza.
Estávamos mesmo necessitados de um Papa chamado Francisco.
Também o nomeio figura do ano.


ARAGONEZ MARQUES

O COICE - CRÓNICA / SEMANÁRIO FONTE NOVA



O COICE
Está a terminar Outubro, o primeiro que me lembre sem comemorações da República. Quem diria? Com o dinheiral e ilusões gastos nos festejos dos 100 anos, há tão pouco tempo, com trabalhos feitos pelos meninos da escola, livros editados para a ocasião, pompa. Talvez por isso os Espanhóis chamem pompa a uma bola de sabão, eles que, monárquicos cada vez com menos Rei, sempre que o tentaram nas suas duas bolas de sabão sem folego, pensavam que era feriado o 5 de Outubro, por ser o dia de Portugal na Feira de Zafra. Talvez mesmo pensando, que era festivo, para que os portugueses fossem ver os toiros, ovelhas e cavalos.
Palavra como cerejas, nas escolas, comemorou-se não a 5, mas a 4 de Outubro, o dia do animal.
Com novas modas, sempre tão criativas como saloias, num calendário onde faltam dias para os dias de: … mulheres, pai, mãe, avós, criança, namorados, bruxas, turista, alimentação, normalização, cancro… competindo com o santuário onde são já os dias de mais do que um santo, e um dia de todos juntos para os que não tenham dia nenhum, aí foi a minha escola para mais uma comemoração.
Falou a Manuela, educadora de infância e ativista infantil, com a mãe de um antigo aluno, hoje com pelos na cara que vive numa quinta ali perto. Aí foi a escola, em peso, ver os toiros, as ovelhas e os cavalos, mas também os gatos, os cães, as galinhas e os patos.
Dividimos os gaiatos por grupos, equipas com tarefas a realizar na quinta. Diferenciar mamíferos, aves e peixes, colocar cada animal na sua família, com recolhas de imagens, descrições escritas e fichas de verdadeiro e falso com tem pelo não tem pelo, bebe leite não bebe leite, essas coisinhas que é melhor descobrir-se do que ouvir-se apenas, até porque perguntas a dúvidas como se todos os mamíferos andavam 9 meses de balão, iam anotadas em estado puro, para a entrevista à dona da propriedade.
Para quem diz que os pais estão arredados da escola, que são alheios ao que se passa e pouco ou nada interferem de um lado para o outro da vedação, fechada a sete chaves, aberta apenas quatro vezes por dia e por onde nos intervalos espreitam como para jaula gigante, introduzindo bananas e bolicaos pelas grades como no zoológico, não sei se por questões ditas de segurança para os meninos e meninas ou para os corpos docentes de senhores professores e minhas senhoras, sotores e sotoras alguns, cada vez mais, apesar de ganharem cada vez menos, o mês de outubro foi para mim referente desse engano.
Claro que os encarregados de educação não estão alheios, e interferem, e fazem parte do universo escolar, apesar das grades e das melhores fechaduras.
Os grupos, com os trabalhos já feitos, conquistadores de pontos por cada tarefa cumprida em equipa, foram premiados em cerimónia de fim de dia. Foram feitas umas medalhas de cartão do fim dos blocos dos cadernos, com a referência ao dia, e que atribuía primeiro, segundo e terceiro lugar às equipas de investigação que pesquisaram na quinta. Tinham as medalhas uma fita de papel de embrulho, vermelha e reluzente que foi colocada no pescoço dos elementos das equipas que melhor trabalharam. No outro dia, logo pela manhã, apresentou-se uma mãe, com a medalha de cartão do filho na mão, a outra na cintura. Na medalha estava escrito o nome da escola, a data da visita, 4 de Outubro, dia do animal e por baixo um 1º, grande e bem desenhado a negro.
- Minha senhora, não sei porque o meu filho levou isto ontem para casa, nem porque acha que é o animal nº1.
Embasbacada, a diretora lá explicou que aquilo significava um primeiro prémio, num concurso e tal e tal …que o professor era assim, sempre com invenções e tal, e tal e tal…
Lá foi a mãe feliz, levando a medalha que trazia escondida, pendurada agora dos dedos à vista de toda a gente.
Alheios ao que se passa na escola? Claro que não!
Também no final da atividade e quando se abordou que houve animais que se não tinham visto, num esforço dos professores, para que chegassem à conclusão de que na quinta não haviam peixes, e reforçando a pergunta de qual o animal que não havia, o Carlos, disse prontamente:
- Os burros!
Quais burros?... outros que respiram por guelras, têm escamas… mas sabendo que o Carlos tinha razão e que burros também não havia, a professora disse-lhe:
- Os burros, também já são poucos mas prometo-vos que quando fizermos a visita de estudo a Lisboa…
- Vamos à Axembleia.
- À Assembleia Carlos? Vamos a uma quinta pedagógica onde há muitos animais domésticos e também burros certamente.
- O pai dixe-me que em Lisboa na Axembleia há muitos burros.
Os pais não interferem na escola? Claro que sim!
Eu fiquei como o Scolari e em vez de exclamar “e depois o burro sou eu”, pensei: os burros somos nós, que aí os juntámos, com o nosso voto, nesta democracia de faz de conta, onde nos levam a assinar cheques em branco para depois nos devolverem as contas completamente carecas.
Evidentemente que os burros somos nós.
Tenho a certeza que é necessário, deixarmos de zurrar nos cafés, nas avenidas e nas pontes e passarmos de vez a escoicear.
Arre!
                                                                                                                  Aragonez Marques

Nota:
Os meus agradecimentos ao António João Rosinha, dono do EX em Campo Maior, lugar onde tenho escrito nos dois últimos meses, o novo livro que tenho, da mente para papel, e as croniquetas para os jornais, com a disponibilidade da sua rede de net, e de onde faço escritório, todos os dias, no fim do trabalho pago.
Ao Rosinha, e à educadora Manuela, inspiradora desta crónica.





PROFESSORES DE MARMITA / CRÓNICA SEMANÁRIO FONTE NOVA



Professores de marmita

É a nova geração.
Chegam de norte a sul, colocados pela plataforma, decidem em 24 horas se aceitam ou não o lugar, e aí vão…
Alugam quartos ao mês e comem asinhas fritas de frango, nas salas de aula, poupando o dinheiro das cantinas escolares, que esta história dos subsídios de alimentação é uma treta e mais do que nunca fazem parte do salário.
Ontem chegou um, veio ocupar o último quarto livre da casa onde também estou. Trazia mochila e vinha de Arcos de Valdevez. Matemática. Professor de matemáticas, não sei se parte integrante dos novos programas. Lembrei-me dos tempos em que comecei, também de mochila, só que nessa altura, por essas datas, a mochila levava sonhos, começos e esperanças. Hoje, quem chega, roça os quarenta anos, quem vai ou vem está sem filhos, família, apenas tem projectos de esposas e mães de rebentos por nascer,  noutras escolas, noutras terras, deste mapa pequeno, mas gigantesco, para quem leva metade da casa às costas. Com essas idades, já eu tinha apartamento da Caixa Geral de Depósitos, filhas e caminho a percorrer. Agora, procuram-se vinte euros para pagar exames, atrasos, como quem adia uma dívida à custa de desculpas mal contadas.
Adia.
É a geração dos professores de marmita.
Saí agora do quarto alugado, ver se a selecção nacional me alivia a angústia depois do violento e último roubo de mais de metade do subsídio de férias. Deixei o novo companheiro a enrolar cigarros com máquina dos chineses e a fazer a sua primeira participação de falta disciplinar a aluno, obrigado a estar na escola para efeitos estatísticos.
Vir um homem de tão longe para fazer participações disciplinares…
Está cinzenta esta escola que quer comer a outra escola que (ia escrever tinha) tem dentro.
Ontem.
O papá leva o gato
- Senhor professor eu tenho um gato…
E o professor aproveitou, e deixou falar sobre o gato, que bebia leite, que tinha pelo, quanto media? Já mediu dez centímetros, agora mede aí um metro… um metro? Vai lá buscar o metro, heia! Que grande gato, vá lá vinte centímetros…
Hoje.
O papá leva o gato
- Senhor professor eu tenho um gato.
- Calou!! Perguntei-te alguma coisa? O menino só fala quando lhe perguntarem. Entendeu? Cada vez chegam piores, nem deixam trabalhar…
Há na realidade duas escolas, uma cinzenta com boca grande, disciplina, pontualidade, rigor… uma merda. Desculpa mãe, lá me saiu mais uma asneira. Tu sabes que não digo palavrões quando falo, mas a escrever, saem-me às vezes. Prometo que substituo a “palavrona” daqui para o futuro por “uma coisa”. Contente? Bem, mas falava das escolas e dos professores, com quem me zanguei muito por não terem aderido à greve do passado dia oito, mas que já perdoei, pois não há dúvida que esta malta não tem dinheiro nem para os cartazes e apitos das manifestações, quanto mais para perder um dia de trabalho. Temos que inventar novas formas de protesto, sem que nos venham ao bolso. Ficarmos todos na escola, a fazer uma chouriçada de protesto e mandarmos às urtigas os trezentos euros com que nos querem comprar para corrigir exames de colegas, companheiros de viagem, ainda por cima, nas férias de Natal.
É perverso.
A escola da boca grande, como as plantas invasoras do Guadiana, enche o cenário de verde e clorofila de esperança, mas asfixia tudo o que se move no rio. Abanam a árvore da escola pública de alto a baixo, à mão e à máquina como as oliveiras, de noite e de dia, porque tem pressa  em criar gente temerosa do futuro, bons dominadores da escrita e dos números (na óptica do utilizador), a que chamam Língua e Matemática, suprimindo qualquer área de expressão que motive ou estimule a criatividade, querem actuantes e não pensantes, que trabalhem num modelo de sociedade de produção barata, que assinem sem pestanejar novos contractos, sem segurança de futuro, por qualquer salário, e com reformas e idades a perder de vista. Para isso precisam desta escola e de preferência sem professores da geração de Abril, não se coibindo de os tentar comprar com montantes ludibriosos, que os levem a largar as paredes com vida, ainda, da escola que ajudaram a criar.
Precisam de “nova” escola para “novo” estado novo.
Precisam de pessoas com medo e por isso apontam para exames, metas, estimativas, novos programas, novos professores. Não contam para as rescisões amigáveis os anos de doença, pelo que, para além de docentes jovens e submissos, que os outros já emigraram, não se importam de ficar também com docentes doentes, pensando, quem sabe, poupar, com a junção do Ministério da Saúde com o da Educação. Atrevem-se a transformar a escola pública em gigantesco laboratório de experiências, cobaias, mesmo com o corte de relações das Universidades, reitores e alunos desta vez em uníssono, perante o descredito e a estupidez. Os meninos do governo, como lhes chama Lobo Antunes, vivem na total impunidade, ameaçando mesmo o Tribunal Constitucional com o apoio de quem jurou defender a Constituição, defendendo-nos a nós, portugueses e portuguesas.
São meninos da linha, cruéis e tiranetes a quem devemos quanto antes cortar as unhas, que começam a crescer, até porque nunca foram arranhados pela vida e não sabem o que isso dói.
Entretanto, enquanto o pau vai e vem, julgamos folgar as costas, mas não, apenas duplicamos as marmitas.
E porque o prometido é devido:
- Isto é uma coisa!
Viste mãe? Que educado é o teu filho professor.
A propósito, parabéns pelo teu aniversário.
Que saudades tenho de quando tinhas a minha idade.
Aí estaremos todos no dia 30, e com tantos professores na família, faremos certamente um comício caseiro, para aliviar o cheiro desta “coisa” do ensino atual, sem c, viva o desacordo acordado.
Pelo sim pelo não, e se não te importares, levo a marmita para trazer alguma sobra da festa pois logo na segunda-feira, começa a primeira semana nómada do mês de Dezembro.
Vida de professor.
-Bela coisa!


lunes, 1 de julio de 2013

CRÓNICA DE JUNHO / Deus os tenha no seu eterno descanso / FONTE NOVA




Deus os tenha no seu eterno descanso.

Jurei a todos os santinhos, pela minha saúde, eu seja ceguinho e essas coisas todas, que não falaria mais no Facha. Primeiro porque se não deve chorar, é perca de tempo, sobre casca de laranja descascada e segundo, porque esta laranja em concreto, já está cortada às rodelas e servida polvilhada de açúcar. Só que, estou a escrever de Portalegre, vim de camioneta, desci no Rossio, e senti um arrepio na espinha, completado pela entrevista dada a este jornal, que comprei na papelaria Sarita para me entreter na consulta médica onde estou.
Um escritor que nunca conheci para além do seu único livro, chamado “Como venci o cancro” atingiu há três anos um recorde em topo de vendas, extraordinário. Utilizado como livro de auto-ajuda, muitos eram os leitores que o compravam, que o ofereciam e muita gente o transformou em força para continuar. No ano passado, os pedidos subiram, foram feitas novas edições e a editora passou a receber pedidos do Brasil, de Angola e até de emigrantes Açorianos nos Estados Unidos. Como tenho facilidade de relação com as editoras e porque um grupo de voluntários me pediu, contatei o proprietário de uma fábrica de livros sediada na região centro, e pedi que o autor, se deslocasse a Espanha para junto de um grupo de doentes apresentar o livro e fazer uma conferência. Respondeu-me o editor: - Impossível amigo, esse senhor morreu há dois anos- e acrescentou- não comente por aí. Tal como o Facha, que não morreu quando as máquinas o começaram a escavacar, mas estava morto há anos quando decidiram pela eutanásia e por interesse óbvio não comentaram por aí.
Fizeram-no agora, entrevista de açúcar, ao mesmo tempo que enterravam o cadáver.
Não gostei de algumas respostas, simplistas, com muita sacarina, como é de lei e moda, como se fossemos todos diabéticos.
Achei curioso o entrevistado dizer que a cidade estava dividida, como aconteceu quando da construção do defunto criado por Miguel Jacobetty Rosa, reagindo à modernidade.
Como um aluno inteligente perante a pergunta do professor a quem não sabia responder, levou para o seu terreno a resposta. Ora eu não sou assim tão velho nem reacionário ao modernismo e julgo que quem contesta, não o faz contra o estilo do edifício nem contra a existência de mais um hotel e muito menos à homenagem do escritor de Vila do Conde, mas sim contra a localização da obra de arte.
Já que a geração dos meus pais permitiu a aberração do edifício do filho do Senhor Matos da Pérola, no Largo Frederico Laranjo, que aí está e ficará para sempre ou até que caia, manifestei-me para que as minhas filhas saibam que algo fiz, mesmo que já não sirva para nada.

Sobre a modernidade, e embora não quisesse sinceramente entrar aí, julgo que seria moderno na década de oitenta, hoje é um edifício normal e corrente, onde nem a sua localização o beneficia. Além disso, e porque me faz cócegas nos pés, peço que vejam a fotografia da entrada onde se vê perfeitamente, o que tenho chamado paralelepípedo.
Sou só eu ou há mais gente que vê um “bangalô” retilíneo, como caixote com janelas, pousado no cimo do arredondado do Facha? Por aqui me fico, ou quase, porque noto uma ironia essa de: Somos todos de cá, o arquiteto, eu também, vou viver para a Cidade, já tenho aí uma vivenda... como se ser irmão da grande prole Portalegrense, nos desse o direito de destruir as pratas da família.

Mas nem tudo foi mau, afinal ficamos a saber porque se não respeitou o traçado do edifício e muito menos a sua recuperação, soubemos também a razão pela qual o último cisne sobrevivente da cidade está nos armazéns da Câmara Municipal. Fomos informados de um incidente que aconteceu e que a empresa, se tivesse sido mais grave, assumiria o prejuízo, como se houvesse dinheiro que pagasse a destruição da fonte construída em 1865. Soubemos também, como os vidros não foram retirados por não ter sido adquirida a estação de serviço, dependente de uma assinatura para uma garantia bancária e que tudo, se resume a dinheiro.

Pouco menos de dois milhões de euros um preço “agressivamente caro”...  um investimento reembolsável em três anos (pelas minhas contas) e que dá trabalho apenas a 14 trabalhadores, sem garantias de que sejam todos irmãos da prole.

A Câmara de Elvas acabou de anunciar a compra do Forte da Graça, a Câmara de Portalegre nem se esforçou por comprar o edifício emblemático do centro da Cidade. Não tem dinheiro, sabemos, mas isso se deve à má política dos últimos anos.

O presente envenenado recebeu-o a Presidente da Câmara, a quem se agradece com um bem haja, a resolução em três meses de um assunto pendente há três anos.

Também gostei de saber que as pedras de granito do edifício são de boa qualidade e que serão aplicadas noutras obras da empresa (!)

Aqui me fico, e não comentarei mais este assunto. Agora é de vez e que fique mesmo ceguinho se o fizer.
Apenas quero tranquilizar os leitores, dizendo que a morte do escritor com que começo esta crónica, não foi causada pela miserável doença. Morreu atropelado por um táxi, a alta velocidade, quando saía do último tratamento de quimioterapia, à porta do I.P.O.
Como o Facha.
Deus os tenha no seu eterno descanso.

                                                                                    Aragonez Marques


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Teria Obelix andado por ali? / New post on largodoscorreios / JORGE DE OLIVEIRA


Junto-me ao Prof Martinó e mando-te um abraço

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Teria Obelix andado por ali?

by largodoscorreios

Ao Jorge de Oliveira
Quanto a Obelix, nada está provado, mas existe a certeza -absoluta- da presença de Oliveirix, e por diversas vezes. Não se lhe conhecem os eventuais laços de relação familiar, mas este é igualmente forte, embora menos rotundo que o outro, julgando-se que também apreciará javali no espeto e tendo ambos -seguramente- uma incontornável atracção por menires.
Jorge de Oliveira é professor na Universidade de Évora e a sua especialidade é aquele período em que os homens viviam em torno ou dentro das pedras, quando estas eram deuses e templos, refúgio e lar, armas e ferramentas.
historia jorgedeoliveiraO Jorge não caiu em pequeno num caldeirão de poção mágica, como Obelix, mas é igualmente dotado de uma força imensa que se chama amizade, sendo permanente a sua disponibilidade ao serviço dos outros. Quando há uns tempos precisei de dispor de uma colectânea das cartas trocadas entre o Juiz Miguel Carlos, meu avô "brasileiro", e o seu amigo Frei Manuel do Cenáculo, arcebispo de Évora, foi ao Jorge que pedi esse favor. Tive o conjunto das digitalizações da correspondência original disponível na volta do correio...

Mas não foi este o único serviço que ele me prestou. Quando as nossas vidas sehistoria menir1cruzaram, quer nos domínios do Parque Natural da Serra de São Mamede, quer no âmbito da Região de Turismo do Norte Alentejano, foi ele que me desvendou, por todos aqueles vastos territórios, de Nisa a Arronches, de Alter à raia de Espanha, os ignotos segredos das pedras que ele conhecia como ninguém, nas antas, nos menires, nas grutas, nas pinturas rupestres, nas peças e artefactos duma pré-História que ele domina a palmo. Os textos, imagens e publicações que a tal propósito produziu constituem um inestimável acervo cultural e científico, para nosso proveito.
Quero hoje citar -apenas- o Menir da Meada (Castelo de Vide) e por diversas historia menir2razões. Em primeiro lugar, porque este acaba de receber uma justa consagração, ao ser classificado como Monumento Nacional (Decreto 16/2013, de 24 de Junho), num conjunto que abrangeu a Ponte da Arrábida (Porto), o Castelo de Penamacor, o Cromeleque de Vale de Maria do Meio (Évora), o Santuária de São João de Arga (Caminha) e o Abrigo do Lagar Velho (Leiria).
Depois, e sobretudo, porque a distinção concedida ao Menir da Meada é, ao mesmo tempo, a consagração do arqueólogo Jorge de Oliveira. Ninguém, como ele, merece tal associação. Descoberto em 1965, na Tapada do Cilindro, constitui uma peça erguida no intervalo de tempo correspondente aos períodos Neolítico e Calcolítico, dispondo de uma forma fálica relacionada com rituais de fertilidade da época. É o maior de toda a Península Ibérica, com os seus 7 metros de altura e 1,5 de diâmetro, pesando cerca de 15 toneladas aquele trabalhado bloco de granito da região.
Quando o Jorge pela primeira vez mo mostrou, após um necessário corta-mato, o menir estava fragmentado, revelando-se a base, que aflorava do solo mais ou menos um metro, ligeiramente inclinada. A outra parte, de grandes dimensões, estava tombada por terra, apontando o Poente. Notava-se que ambas as zonas de fractura estavam alteradas, algo desgastadas pelo tempo e por certo vandalismo à mistura. Algumas décadas assim permaneceu, até Jorge de Oliveira conseguir idealizar e obter apoio suficiente para realizar uma obra tecnicamente complexa, a de recuperar o menir devolvendo-lhe a sua original grandeza, em postura e dimensão.
historia menhirmeadaConseguiu-o há precisamente vinte anos, em 1993, pelo que o estatuto agora reconhecido ao monumento neolítico lhe deve uma substancial parcela de mérito e de cumplicidade. O saber e a persistência de Jorge de Oliveira transformaram um destroço numa verdadeira obra de arte. O texto que ele colocou numa bela separata da revista Ibn Maruán n.º 5 (Câmara Municipal de Marvão/Edições Colibri, 1995), sobre o trabalho de recuperação do Menir da Meada e o seu enquadramento histórico e geográfico na bacia do Rio Sever, leio-o como um documento apaixonado, simultaneamente científico e confessional, objectivo e intimista, sobre a gesta que foi a primitiva implantação e, milénios após, a reimplantação (apetecia-me escrever: ressurreição!) de um das mais importantes marcos da presença humana naqueles sítios.
historia menir 1
historia menir 2
historia menir 3
Aqui fica um pouco da memória desses tempos e desses acontecimentos, com um justo e fraterno abraço de admiração e de parabéns para o amigo Jorge de Oliveira.

António Martinó de Azevedo Coutinho

RUI CARDOSO MARTINS, O PÚBLICO E LA ROCA DE LA SIERRA

... embora atrasado, pois não venho ao Blogue há muito tempo, deixo o artigo do Público de
Rui Cardoso Martins
 e sabem porquê?
Foi escrito noite fora e manha dentro na
ROCA DE LA SIERRA
...

(Vale a pena visitar esta aldeia, aberta a todos os meus amigos/as)

O Dr. Mário Soares, também faz parte desta casa, quem cá veio sabe porquê.