jueves, 23 de octubre de 2014

NOVA IMERSÃO NA LÍNGUA E CULTURA PORTUGUESA / ÉVORA



Nova Imersão na Língua e Cultura Portuguesa este fim-de-semana em Évora, no Hotel D. Fernando, promovido pelo Cpr (Centro de Professores e Recursos de Mérida) no âmbito do Projecto Europeu Realce. Convidado novamente desta vez pelo Cpr/Mérida, será um prazer colaborar com os professores espanhóis que trabalham no seu país o idioma português. Excelente trabalho organizativo do professor/formador Rui Carmo.



(... daremos notícias...)


martes, 21 de octubre de 2014

O PLÁGIO - Clarinha


21 de Outubro de 2014

Hoje apanhei uma vergonhaça.
Fiquei vermelha como os tomates que a minha avó diz estarem cada vez mais caros e como os pimentos que o meu avô tinha como desporto de reformado e hoje como trabalho pois tem que os vender na mercearia do Senhor Paulino, para com esse dinheiro comprar outras coisas, como gasolina para me ir levar à escola e à ginástica que é paga pelo meu outro avô senão já lá não andava. Os meus pais cada vez nos pagam menos coisas, porque descobri que o nosso carro e a nossa casa afinal só são nossos no papel ou quando os meus pais falam deles com os amigos, porque na realidade não sei de quem são porque às vezes ouço o meu pai dizer já paguei a casa este mês e a minha mãe, já paguei o carro este mês, então porque as coisas não podem ser pagas tantas vezes eu penso que andamos num carro de aluguer e vivemos numa casa de renda e os meus pais não querem que se saiba.
Hoje apanhei uma vergonhaça e fiquei encarnada como um tomate como disse lá encima, porque olhei para o trabalho da Guidinha para ver se as minhas respostas eram iguais às dela e uma das minhas professoras substitutas, que nunca é a mesma e está lá à espera que o ministério nos dê uma para todo o ano, mandou um grande berro:
- CLARA (quando se zangam comigo nunca me chamam Clarinha) estás a copiar, coisa feia!!
Ufa. Se tivesse um buraquinho metia-me nele, porque ela continuou:
- Quando o teu pai te vier buscar à escola, digo-lhe, parece mentira, não tens vergonha?
Não abri o bico até ao almoço, com medo do meu pai e só fiquei mais aliviada quando ele disse à minha professora, substituta da que ainda não veio, que era o esperado em quem tem como responsáveis pelas escolas, pessoas que fazem plágio e ninguém as demite, saem pelo seu pé e dizendo que são problemas pessoais.
Não percebi e fiquei muito curiosa sobre o que é isso do plágio.
À tarde fui ao computador e descobri que plágio é copiar e que esse senhor que era chefe das escolas copiou e mostrou como se tivesse sido feito por ele. Eu não fiz isso, só espreitei para saber se a Guidinha tinha feito o mesmo que eu. Quem devia estar vermelho como os tomates caros da minha avó e os pimentos que são agora carga de trabalhos para o meu avô era esse senhor e não eu. Afinal, se viesse viver aqui para o pé de nós, era até perigoso, pois poderia roubar os pimentos ao meu avô, dizer que eram dele e ir vendê-los à mercearia do senhor Paulino.

CLARINHA




IMERSÃO LINGUÍSTICA DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS EM EXTREMADURA




Hoje foi o meu dia de dar uma mãozinha à Imersão Linguística que os professores de Língua Portuguesa de Extremadura, fizeram em Elvas por decisão do Cpr (Centro de Professores e Recursos de Badajoz). Os organizadores, Dario, Nuno e Rui estão de parabéns. Os custos foram assumidos por um projecto transfronteiriço europeu. Às vezes apetece-me perguntar, se estamos deste lado da fronteira, que é feito dos recursos que, julgo eu, também devem ter sido atribuídos a esta banda? Trata-se do projecto Realce, por aqui, até ao momento não vimos realçar nada.






jueves, 16 de octubre de 2014

IMERSÃO LINGUÍSTICA EM PORTUGAL






Dia 19 de Outubro, estarei no Hotel S. João de Deus em Elvas numa imersão na Língua Portuguesa com professores de português que nos divulgam na Estremadura Espanhola (EXTREMADURA). 
É um privilégio poder colaborar com o Centro de Recursos de Professores daquele lado do Guadiana. 
Talvez uma das últimas actividades em que colaborarei deste lado do mundo... durante um tempo. 
Faz-se mais pela nossa Língua lá fora do que cá dentro.



(...Daremos  mais notícias deste evento...)




UM ADEUS MOLHADO












































































































































































































































































































Apesar da chuva, forte e sem descanso, aí estivemos. Obrigado a todos/as. 
Quem tiver fotos, meta-as no enlace acima.
 As que tenho são de telefone pobrezinho.
 Forte abraço.


Prof. Lurdes Ribeiro com Aragonez Marques












(... Continua...)


viernes, 10 de octubre de 2014

A MINHA CASA E A MINHA ESCOLA - Clarinha


(Não sei o dia de hoje, mas sei que é Outubro)

Que chato anda o meu pai, por Deus. Anda irritadiço e leva o dia a falar de um coelho.  Raios parta o coelho para aqui, raios parta o coelho para ali. Ontem à noite soube que o coelho era uma pessoa e por isso mesmo, vou passar a escrevê-lo com letra grande porque a minha professora do ano passado disse-me que os nomes das pessoas se escreviam com maiúscula. Quando disse ao meu pai que o coelho dele passava a ser Sr. Coelho por ordem da minha professora do ano passado que era quem sabia de gramática, pelo menos fazíamos fichas todos os dias para os exames, ele disse-me que isso era para as pessoas, mas que este coelho não era homem não era nada, e só por causa dele, estávamos como estávamos. A minha mãe não gostou que o meu pai me dissesse aquilo e gritou-lhe da cozinha:
- Américo, deixa-te dessas coisas que a criança não entende.
Pensa a minha mãe que eu não entendo, mas está redondamente enganada. Sei muito bem que desde que se ouve o nome do Sr. Coelho cá em casa, passou a haver menos fiambre e a comerem-se mais torradas com manteiga primeiro e com margarina vaqueiro depois. Também sei que desde que o Sr. Coelho passou a ser falado cá em casa, o meu pai deixou de nos comprar prendas no Natal e nunca mais fomos de férias que já nem me lembro como é a praia e os meninos da minha escola comem na cantina também nas férias, nos sábados e nos domingos. E também sei que o Sr. Coelho tem um primo, ou alguém da mesma família que se chama Crato, que não sabe nada de contas, mas que era muito bom em matemática e por isso foi para ministro e que por isso eu ainda não tenho professora da segunda classe como diz o meu pai embora eu lhe diga sempre do segundo ano. Eles lá fingem que está tudo bem para os nossos pais não saberem e mandam-nos professores suplentes para nos guardarem, mas não para nos ensinar. Este ano já tive três e uma delas era professora do ensino secundário, do liceu, vamos, e a pobre passou as passinhas do Algarve. Eles pensam que isto de dar aulas aos gaiatos é coisa fácil e toda a gente o pode fazer.
Os adultos não têm razão em dizerem que por causa do Sr. Crato, amigo do Sr. Coelho, os meninos não têm professores na escola, pois pelo menos na minha, já tive três, mas nenhum deles sabe os nossos nomes de memória, e tratam-nos por "tu aí", razão porque sabemos que não é o nosso professor de verdade mas alguém, que nos guarda para os nossos pais poderem trabalhar e os seus patrões não começarem a refilar. Os nossos pais também refilam, mas porque são eles que ouvem o refilar dos chefes deles no trabalho.
Aqui em casa, agora há mais gritaria. Toda a gente ralha e até a minha irmã mais pequena se atreve a dizer que não gosta da sopa. A minha mãe diz que qualquer dia se rende, mas eu penso que já se rendeu e não acredita que o Sr. Coelho e o Sr. Crato saiam tão depressa cá de casa.
É nestas alturas, que tenho muitas saudades da casa da minha avó. Pena que também ela já não tenha tantas coisinhas boas no frigorífico, miminhos, como o bolo de noz que nunca mais fez. A minha mãe pensa que eu não sei, mas eu sei muita coisa que não digo, mais do que ela pensa e por isso até sei que é por causa do Sr. Coelho e do Sr. Crato e de outros senhores e senhoras que não sei o nome, mas que são da família deles, que o meu pai se vai embora. Também sei que quando eles forem embora também, e os que forem para o seu lugar não forem iguais a eles, o meu pai  volta e poderei comer fiambre, ter prendas no Natal, ir à praia e comer bolo de nozes em casa da minha avó. Eu pensava que o bolo de nozes que a minha avó tinha sempre e agora deixou de ter, era porque Deus dá nozes a quem não tem dentes e ela agora tem uns dentes postiços, mas não, agora já percebi que o problema são de outros dentes que não os da minha avó, os dela só trabalham de dia que à noite estão no copo, os outros é que comem de dia e de noite. 

Clarinha

jueves, 9 de octubre de 2014

Destierro de los soñadores



martes, 7 de octubre de 2014


Destierro de los soñadores


Puerta por puerta, con perros, sondas y uniformes oscuros, habían ido esculcando cada almohada, deshojando las flores aplastadas entre los diarios, analizando con rarísimos aparatos el espacio de silencio entre las canciones de los discos. Todo era un sinvivir, hasta que uno de ellos señalaba con el mentón un indicio fiable que corroborase lo señalado en el manifiesto; entonces, sin mediar palabra, agarraban del brazo al sospechoso y lo embutían en un furgón alargado, cada vez con menos aire que respirar.

Luego, no se sabe muy bien por qué, venía el interrogatorio; Qué, y por qué, dónde, cuándo, quién, quiénes... Cualquier respuesta, aunque fuese con la boca cerrada, conducía al mismo dictamen: Está usted acusado de soñar libremente. 

No distinguieron relevancia, mundos ni dimensiones, por eso, y aunque iban bien vigilados, se podía ver a Mark Twain echando unas risas con Béigbeder y el profesor Keating. Animado por Ismael Serrano, Paul Robeson se atrevió con Grándola Vila Morena y, aunque Anna Frank no entendía muy bien la letra, aplaudió arrobada junto a Alicia, que ya no buscaba el espejo del maquillaje para evadirse. El rictus hermético de los guardas, comenzaba a reblandecerse, conforme llegaban al lugar perdido en los mapas, que sólo el conductor conocía con certeza.

No muy bien hubieron bajado los confinados del vehículo, Rui Manuel ofreció un cigarrillo al conductor, que pudo adivinar sus intenciones pese a la escasa transparencia del cristal blindado. Los funcionarios se reunieron atropelladamente, antes de hacer ningún comunicado por radio, sobre las incidencias del viaje, o su situación.

Pasada una media hora, los funcionarios descubrían sus cabezas. El conductor dio una palmada en el hombro a Rui y recogió el cigarrillo con una emocionada sonrisa.

- Como dice ese señor de al fondo: “Siempre sueña y apunta más alto de lo que sabes que puedes lograr.” - le dijo al fin el profesor, con un caluroso tono pedagógico.

Y allá al fondo, William Faulkner saludaba al conductor, agitando una mano.